Venda Coberta



  • A venda coberta, também conhecida como "financiamento", é talvez a estrutura mais simples envolvendo opções e serve para dois propósitos distintos: remuneração de carteira e remuneração de capital.

    Na remuneração de carteira, vende-se uma quantidade x de CALL (opções de compra) fora do dinheiro (OTM) sobre ações que já estejam dentro de um portfólio. O objetivo é tirar dinheiro do mercado através da venda de expectativa (venda de VE), o que coloca a passagem do tempo a favor da operação. Momentos de lateralização ou de queda de preços são bastante favoráveis a essa modalidade de venda coberta, uma vez que diminui bastante as chances de ter que estopar a operação. O break even da operação é encontrado subtraindo-se o prêmio recebido pelo strike da opção vendida. Exemplo:

    - preço da ação: R$17,00
    - strike da CALL: R$20.00
    - prazo para o vencimento: 34 pregões
    - prêmio recebido: R$0,53(*)
    - break even: R$19,47
    - eficiência do VE: 3,13%
    - lastro: 14,5%

    Não há parâmetros pré-determinados, mas é sempre bom avaliar a eficiência do VE em relação ao risco de stop da operação (lastro). O prazo de 34 pregões é suficientemente longo para dar um bom espaço de tempo ao mercado para "buscar" o break even. Se isso acontecer, a operação deve ser desfeita imediatamente recomprando-se as opções vendidas e assumindo um pequeno prejuízo. Deixar ir para o exercício pode significar ter que vender ações precocemente ações da carteira.

    Na remuneração de capital, a situação é oposta. Compram-se ações a mercado e lançam-se CALL dentro do dinheiro (ITM) com a clara intenção de ser exercido, ou seja, não há interesse em manter as ações compradas em carteira e aproveita-se de um momento de alta dos preços a fim de aumentar as chances de acerto na operação. Exemplo:

    - preço da ação: R$17,50
    - strike da opção: R$16,00
    - prazo para o vencimento: 34 pregões
    - prêmio recebido: R$2,32(*)
    - break even: R$15,18
    - VE recebido: R$0,82
    - eficiência de VE: 4,7%
    - lastro: 13,26%

    A remuneração de capital é também conhecida como "operação de taxa", por assemelhar-se a uma aplicação financeira, onde uma taxa de rendimento é paga no final da aplicação. Nesse caso, o ganho só acontece se houver exercício no vencimento, ou seja, vender-se-ão as ações por R$16,00 compradas por R$15,18 apurando-se uma taxa bruta de 5,4% (**). Entretanto, é interessante observar que o ganho de R$0,82 é exatamente o VE recebido. Dessa forma, a passagem do tempo também é favorável à operação, que poderá ser desmontada antes do prazo, caso o VE se aproxime a um valor correspondente a 0,4% do preço da ação. Nessa situação, há que se observar a liquidez da opção vendida, pois dependendo da distância entre o strike e o preço da ação, menos liquidez haverá, dificultando o encerramento antecipado. Quanto mais ITM a opção for ficando, menor será a liquidez. Nesse caso, o exercício antecipado (muito raro, mas não impossível) favorece muito. Em caso de queda da ação, é necessário desmontar a operação recomprando-se as CALLs vendidas e vendendo as ações a mercado, assumindo um pequeno prejuízo.

    Em ambos os casos, a passagem do tempo é favorável, mas é possível lançar as opções de modo que a remuneração recebida seja superior, em troca da diminuição das chances de ganho (diminuição do lastro). Para isso, basta lançar CALLs com strike menos distantes do preço da ação. No exemplo de remuneração de carteira, a operação montada ganha em caso de queda forte, em caso de queda, em caso de acumulação e ainda aguenta uma alta de 14,5% do preço da ação, até que seja estopada. Na remuneração de capital, a operação será vencedora em caso de alta forte, em caso de alta, em caso de acumulação e ainda aguenta uma queda de 13,26% do preço da ação até que seja estopada. Fazer o lançamento mais ATM, tira espaço para o mercado se mexer, ou seja, aumentam as chances de stop da operação, em troca de um rendimento maior. Antes de montar a operação, é sempre recomendável avaliar as diversas possibilidades.

    (*) - valores TEÓRICOS utilizando-se uma simulação do modelo de Black&Scholes para Excel elaborado por Leonel Molero Pereira(***), da Aleae Consultoria(****), levando-se em consideração uma taxa de juros de 14,25% a.a. e ação com uma volatilidade anualizada de 60,04%.
    (**) - descontar-se-ão as despesas de corretagem, emolumentos e imposto de renda sobre lucro em operações em bolsa de valores (15%).
    (***) - leonelmp@aleae.com.br
    (****) - http://www.aleae.com.br

    Vale sempre lembrar que este post tem caráter meramente ilustrativo e não constitui-se em recomendação de compra e/ou venda de ativos e cabe a cada operador avaliar por conta própria os riscos envolvidos.









  • TNT

    Bela explicação, Murilo!


    O stop no break even é uma das formas de sair da operação, porém, cabe destacar que não é possível mensurar qual o tamanho do prejuízo...se as ações caírem muito e de forma acelerada, a volatilidade implicita das opções tende a aumentar, não corroendo tanto o valor da opção vendida.

    Sendo assim, ao vender as ações desvalorizadas e comprando as opções vendidas, sem saber exatamente a que preço, o investidor que deseja realizar essa operação deve estar ciente que em alguns casos (não tão raros assim), o prejuízo poderá ser maior do que o esperado.

    Nas demais situações de stop, com queda moderada do ativo e ao longo de um período maior, sem dúvidas que o prejuízo será bem pequeno, pois a desvalorização das opções cobrirá boa parte da desvalorização da ação!


    Grande abraço a todos e bons estudos!


    @MuriloBarquette disse:

    da opção: R$16,00- prazo para o vencimento: 34 pregões- prêmio recebido: R$2,32(*)- break even: R$15,18- VE recebido: R$0,82- eficiência de VE: 4,7%- lastro: 13,26


  • mestre e amigo @Petrokas

    Sempre uma honra ler seus comentários em meus posts, especialmente quando complementa de forma brilhante a lacuna deixada. Foi realmente uma falha minha não ter falado mais detalhadamente sobre o stop. Muito obrigado!

    Forte abraço


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