O Seguro



  • E então você comprou uma ação a R$20,00 e colocou o stop na perda de um suporte em R$19,15 e acha que está com seu prejuízo limitado em caso de queda, certo?

    Bem, infelizmente, o mercado tem seus caprichos e logo após o fechamento do pregão, a empresa que você comprou a ação divulgou o balanço trimestral e o mercado parece não ter gostado dos resultados. E agora? Noite sem dormir, sem saber o que o mercado nos reserva no dia seguinte! E eis que o que mais você temia acontece: a ação abre o pregão com um GAP de baixa, a R$17,50! Então, você pensa: "vou esperar um pouco pra ver se volta. Gaps são sempre fechados". O dia vai passando e o papel não fez pra apanhar e fecha o dia a R$16,00. O prejuízo que você achava estar limitado a R$0,85 por ação já está em R$4,00 por ação. E você pensa: "amanhã ela sobe, com certeza e eu saio assim que bater no meu preço de entrada". No dia seguinte, mais uma queda e o preço fecha a R$15,10. Nos dias que se seguem, a história se repete e quando o preço da ação chega a R$10,00 finalmente você decide sair, assumindo um prejuízo 1.000% maior do que havia planejado. "Paciência", diz você. "Resta agora colocar uma pedra no assunto e partir para a próxima". E, nos dias que se seguem, você vê o papel voltar tudo o que caiu, bater seu preço de stop, bater seu preço de compra e subir sem destino certo.

    Conte aí nos dedos das mãos (e dos pés também) quantas vezes isso já aconteceu com você...

    A boa notícia do dia é que há uma forma de se precaver dos indesejados GAPs, utilizando uma tática simples: a compra de um seguro.

    Ao comprar uma ação por R$20,00 compra-se uma PUT de mesmo strike ou muito próximo. O preço a pagar deve ficar em torno de R$0,95/R$1,10. O que acontece? Se, no dia do vencimento, a ação estiver num preço abaixo do strike da PUT, você exerce seu direito e obriga a outra ponta a comprar suas ações pelo strike da opção. Resumindo: comprou a ação por R$20,00 e comprou PUT de strike R$20,00 por R$1,10. No dia do vencimento, se a ação estiver cotada abaixo de R$20, você exerce seu direito e vende suas ações por R$20,00. Seu prejuízo está limitado ao que pagou pela PUT: R$1,10. Outra vantagem da compra do seguro é que você dá um espaço de tempo ao mercado. A ação pode cair e tornar a subir, voltando para a zona de ganho na operação e você não precisou estopar e correr o risco de tomar uma violinada.

    É óbvio que tais vantagens não são 0800. Não existe isso no mercado. Tudo tem um preço e a desvantagem da compra com seguro é que o preço da ação precisa estar acima de R$21,10 (R$20 da compra + R$1,10 do seguro) para que você entre na região de lucro na operação. Sem a compra do seguro, você já estaria com um ganho de 5,5% no trade. Esse é o preço a pagar pela proteção.


    Seguro semelhante podemos fazer numa operação de venda de ações. Você identifica um possível movimento de baixa numa ação e resolve apostar nesse movimento. Vende-se a ação e compra-se uma CALL de mesmo strike, ou muito próximo, pagando um valor bem próximo de R$0,95/R$1,10 (essa é normalmente a cotação de opções bem no dinheiro - ATM). Da mesma forma que a compra com seguro, na venda com seguro seu prejuízo está limitado, caso o preço da ação suba repentinamente. E, analogamente, dá um prazo ao mercado (até o dia do vencimento) para que os preços voltem aos patamares anteriores.

    As opções oferecem um sem-número de possibilidades, uma vez que cada contrato já tem seu preço de negociação do ativo subjacente determinado previamente. Dessa forma, é possível escolher entre pagar mais para ter mais proteção abrindo mão de uma fatia maior do lucro e pagar menos por uma proteção menor, abrindo mão de uma parcela pequena do seu lucro. Como exemplo, examinemos algumas possibilidades:

    - compra da ação a R$20,30
    1 - compra de PUT strike R$20,00 por R$1,10. Prejuízo máximo: R$1,40.
    2 - compra de PUT strike R$19,00 por R$0,55. Prejuízo máximo: R$1,85.
    3 - compra de PUT strike R$18,00 por R$0,30. Prejuízo máximo: R$2,50.

    Na situação 1, abre-se mão de parte do lucro em troca de um stop mais curto. Já na situação 2, a mordida no lucro é menor, mas a proteção também é menor. Em compensação, o espaço dado ao mercado é mais amplo. Na situação 3, além da pequena mordida no lucro, damos mais espaço ainda para o mercado se mexer, porém assumimos uma perda financeira bastante considerável. Dependendo do capital arriscado, pode significar um prejuízo grande. Todavia, você não é obrigado a comprar apenas 1 strike. Dependendo da quantidade de ações compradas é possível diversificar os strikes, dando ao mercado uma boa margem para se mexer, sem que você precise estopar a operação inteira.

    O seguro é uma excelente alternativa quando se deseja fazer trade em ações muito voláteis e/ou visadas pelo mercado, tais como PETR e VALE - que são mestras em GAPs!





  • TNT

    Belo post, Murilo. Limitar as perdas é sempre bom! Aliás, ótimo....



  • Muito legal Murilo essa dica, mostrando que existe no mercado financeiro métodos diferentes e eficientes de investimento.




  • Sensacional Murilo !!

    n é a toa que eu sou seu xará!

    Brincadeiras a parte, excelente post! Parabéns!



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