Por que eu não gosto de rompimentos (um trecho do meu diário)....



  • DIÁRIO DE UM TRADER

    26 de Junho de 2017

    Al Brooks e Oliver Velez que me perdoem, mas eu simplesmente odeio operar rompimentos e não gosto de operar rompimentos porque não gosto de stops longos. Para mim, stop é curto. Poucos tiques no máximo.

    Mas já faz um tempo, decidi sair da minha zona de conforto (sim, pois já faz um tempo, eu ando confortavelmente ficando no zero a zero em operações em contratendência) e pensei cá com meus botões: o que pode haver de tão ruim com um rompimentozinho?

    Isso é o que pode haver de tão ruim com um rompimentozinho:

    Primeira (e única) operação do dia 26 de julho. Mini-índice (WINQ17):

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    Prejuízo: -180pts.

    Entrada: jamais entrarei um tique acima. Eu não entrei um tique acima da barra 0. Por mais que a gente tente a mentalidade não abandona e eu fiquei pensando “se a barra 1 formar um topo maior, eu entro na flâmula e consigo um preço melhor”.

    Entrei na parte de baixo da barra 2, quando o canal de baixa já havia se formado,  esperando ansiosamente pelo rompimento da parada e por dinheiro na minha conta para pagar o aluguel de dois meses atrasados.

    Mesmo agora, a compra na parte mais baixa do canal apostando na retomada da tendência de alta não me parece mal negócio.

    A favor da minha entrada, havia o fato de o mercado estar em tendência de alta no período de dois dias e ter rompido no diário um canal de baixa de quatro dias.

    A operação oposta, venda em um mini-canal confiando no rompimento no sentido do canal, deu certo.

    A seu favor, ela tinha um duplo topo com a mais alta de cinco ou seis dias atrás e a perda do momentum de alta no dia anterior.

    Por isso, sempre digo para mim mesmo: não tenho uma maldita bola de cristal.

    Saída: o desastre. O stop longo. A 180 pontos, alguns tiques abaixo da barra de rompimento, lá repousava o meu stop e tudo estava relativamente tranquilo – como eu estou acostumado a operar em contratendência, estava pouco me lixando para o fato de o rompimento não ter tido até então prosseguimento – simplesmente gosto de canais e embora preferisse, naquele momento um canal de alta, um canal de baixa estava valendo.

    Mas o rompimento para cima não veio e a coisa continuava descendo.

    A barra 3 rompeu o topo do canal, mas foi seguido por uma pequena barra em sentido contrário.

    “Isso é um bearish harami? ” Eu me perguntava.

    Por que, meu Deus, deram nomes tão curiosos pra essas coisas, as barras?” Eu me perguntava.

    “Acho que eu estou muito ferrado e essa coisa vai romper para baixo”, eu me dizia.

    Eu poderia ter muito bem colocado um stop um tique abaixo do harami de baixa. Mas quer saber? Se eu fizesse isso eu me consideraria um covarde que tem medinho de perder 180 pontos e por isso não opera rompimentos. “Eu não tenho medo”, eu me disse quando a segunda maior barra do dia, um marubozu baixista atravessou a linha de suporte do canal como se ela não existisse.

    Enquanto o marubozu se formava a minha mente se perdeu em divagações: um lado meu dizia que com o rompimento do canal a operação estava perdida e que eu deveria fechar a posição, enquanto um outro lado defendia tranquilamente, mas com muita firmeza, que eu havia considerado que o stop era um tique abaixo da barra de rompimento, e não faria muito sentido eu alterar ele agora no desespero.

    O desespero é um mal conselheiro.

    Decidido que ficaria até o final, restou ao meu lado desesperado se agarrar com todas as suas forças à ideia de que, por um milagre, os deuses do trade desceriam dos arranha-céus de Manhattan, envoltos em nuvens, e reverteriam o marubozu ao meu favor: “dá para formar um hammer aí, hein? E, na próxima barra, quem sabe um engolfo? ”

    Não veio ninguém de Manhattan. Não se formou hammer ou engolfo. O que se formou mesmo foi o tal do marubozu e depois um morubuzinho, empurrando-me para fora do mercado como se uma elefanta e seu filhote passassem por cima de mim sem se importar ou saber exatamente o que haviam esmagado.

    E eu, do lado de fora, achatado como uma pizza, observava boquiaberto a manada ribanceira abaixo.

    Moral da história 1: odeio rompimentos.

    Moral da história 2: se o mercado te der um loss, faça dele... um loss (infelizmente, não dá para adubar flores com prejuízos).

    Resumo: -180 pts. não é ruim. Tanto na meta de lucro como no máximo prejuízo diário, eu tenho o resto do dia de folga.



  • "Eu poderia ter muito bem colocado um stop um tique abaixo do harami de baixa. Mas quer saber? Se eu fizesse isso eu me consideraria um covarde que tem medinho de perder 180 pontos e por isso não opera rompimentos. “Eu não tenho medo”, eu me disse quando a segunda maior barra do dia, um marubozu baixista atravessou a linha de suporte do canal como se ela não existisse."

    Eu não estava neste dia no Mini índice, mas, casso eu estivesse certamente eu estaria no gráfico de 1 minuto,  ( é uma loucura esse gráfico.).

    Digo que esta ultima barra da qual se refere, foi feita em menos de 30 segundos, portanto estando no gráfico de 5 minutos deve ter visto ela se formando lentamente bem pequenina e em algum momento que pode ser: A) No início, B) No meio, C) no final. houve uma pancada exagerada.

    Neste caso se é a meu favor não faço nada - deixo que vá.

    Estando contra a minha posição:  (É claro que não se pode dizer que foi um único trader quem fez isso.) mas, a minha leitura é: O Tuba que fez isso sabe o que está fazendo e tem Capital o suficiente para defender a posição que assumiu.   -  A minha debandada já é instintiva, nem penso, quando percebo já estou fora.

    É claro, no passado eu via uma excelente oportunidade para aumentar a minha posição, puxar o meu stop um pouquinho mais para baixo, opa não deu certo, só mais um pouquinho pra baixo, não vai passar disso.

    E a Bumba estoura na minha mão.

     



  • A formação desse tipo de candle (a grande do rompimento) é muito engraçada. 

    Não me lembro agora dos detalhes, mas a minha experiência me diz que primeiro vem o falso rompimento pra cima, em seguida, o harami. Neste momento, dá pra começar a desconfiar que o trade vai dar errado porque a última coisa que você quer ver em uma operação e ter um rompimento no sentido da sua operação, seguido por um padrão de candle contrário a sua operação.

    Mas o mercado está relativamente calmo na formação do harami. São cinco minutos de negociação em um candle relativamente pequeno. Quando o harami se forma, então os preços vem com tudo contra você e as coisas são muito rápidas, talvez menos do que 30 segundos, uns 10 segundos mesmo (ao contrário de você, o meu instinto não é sair, eu paraliso e fico pensando "putz, deu merda, vou ser stopado") e é claro que rola a vontade de baixar o stop, fazer preço médio e falar "ah! não vou ser stopado mesmo!", mas é óbvio que quando isso dá errado, isso dá muito errado.

    O que eu sinto falta em mim é de ter paciência com esse tipo de coisa (stop é normal), quando eu levo um stop que eu realmente não gostaria de ter levado, eu tento me perguntar se eu ainda estou em condições psicológicas de continuar - se eu tiver de boa continuo - mas se eu estiver muito irritado - e nesse dia eu fiquei porque eu penso que eu fiz um tipo de operação que eu não sei fazer e que eu não gosto de fazer (e que eu queria aprender a fazer) - eu saio, antes que eu comece a fazer um monte de cagada do tipo ficar comprando o dia inteiro comprando

    só para provar que eu estou certo e que o negócio tem que subir mesmo.

     


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