O que fazer diante do cenário atual?


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    Recentemente passei 3 dias imerso na maior feira da indústria do investimento, em companhia de alguns colegas do Portal do Trader. Trata-se da Expert, uma feira anual organizada pela XP Investimentos e que conta com os nomes mais importantes do nosso cenário político-econômico atual. Para se ter ideia de alguns dos palestrantes, estavam lá: Roberto Setubal, Co-Presidente do Conselho de Administração do Itaú Unibanco; Luis Stuhlberger, gestor de um dos maiores e mais premiados hedge funds do Brasil; Arminio Fraga, ex-presidente do Conselho Administrativo da BM&F Bovespa e ex-presidente do Banco Central do Brasil; Zeina Latif, economista chefe da XP Investimentos; Miriam Leitão, comentarista de economia na Globo e CBN; Luiz Barsi, um dos maiores investidores do Brasil; Flávio Augusto, fundador da Wise Up e proprietário do Orlando City, Carlos Wizard, fundador da Wizard, Yazigi e Microlins; William Waack, jornalista da Globo; Deltan Dallagnol, procurador do MPF responsável por coordenar a força-tarefa da Lava Jato; Luiz Fux, ministro do STF e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral; João Doria, prefeito de São Paulo; além de muitos outros diretores e economistas renomados.

    Claro que a totalidade de assuntos abordados no evento não caberia no texto curto que apresentarei aqui, mas se for possível resumir, que lições podemos extrair da avalanche de informações proporcionada por este evento?

    A maior dúvida que permanece na cabeça da maior parte dos investidores diz respeito à direção que o país deve seguir nos próximos meses, inclusive logo após as eleições de 2018. Então, procurarei apresentar da forma mais resumida possível, algumas das principais impressões que o evento deixou. Vale ressaltar que os pontos não constituem uma verdade absoluta e qualquer atitude de investimento tomada a partir deste texto deve ser tomada com muita ponderação.

    O primeiro ponto diz respeito à permanência do Temer na presidência e, ao que tudo indica, salvo algum acontecimento extra ordinário, ele deve ficar no cargo até as eleições no final de 2018. Contudo, um ponto importante, que inclusive justifica a razoável frieza do mercado até este momento, é que tanto a equipe econômica, quanto os novos gestores de empresas públicas (como é o caso da Petrobras), possuem bom nível técnico para lidar com a situação caótica que vivemos neste momento. A dúvida, que não pode ser respondida com segurança por nenhum especialista, é se esta competência será suficiente para lidar com a atual situação. De qualquer forma, se hoje há um receio por parte dos maiores especialistas do país, ele reside na possibilidade destas equipes serem desmanteladas e os substitutos não estarem à mesma altura.


    No que tange as reformas trabalhista e previdenciária, é unanimidade de que elas são absolutamente necessárias para manter a economia do país rodando e a questão precisa ser resolvida o quanto antes. Pelo contrário, em alguns anos teremos um percentual de população economicamente ativa muito baixo se comparado com a quantidade de aposentados no Brasil, chegando à caótica proporção de 2 trabalhadores para cada velhinho, dependente. Contudo, no cenário atual, mantendo os pés no chão, e na melhor das hipóteses, o que se espera é que as reformas acabem saindo, porém, totalmente desgastadas e com a certeza de que o assunto será retomado em 2019, após as eleições.

    Na política, a dúvida paira sobre a possibilidade do Lula conseguir se candidatar ou não. Em caso afirmativo, é esperada uma eleição extremamente polarizada entre apoiadores do ex-presidente e eleitores anti-PT, com debates truculentos e infrutíferos e com fortes chances de haver um segundo turno. No caso de Lula não concorrer, o que se espera é uma eleição mais pulverizada entre 3 ou mais candidatos com uma grande indefinição até as vésperas das votações. A impressão que ficou é que a segunda opção traria melhores condições para uma eleição mais racional, menos inflamada pela indignação do povo e livre de rixas. 

    De qualquer forma, abstraindo o sentimento de revolta com os recentes episódios de corrupção, o que se espera de forma geral é que, seja lá quem for assumir o país a partir de 2019, tenha a seu lado uma equipe econômica altamente competente para conduzir a retomada econômica sem muitos solavancos.

    Para finalizar, vale ressaltar que, apesar do cenário atual, com uma nova bomba surgindo na política a cada dia e a retomada econômica limitada, a maior parte dos especialistas esboçou otimismo para o futuro do país, que ainda deve passar por muitos altos e baixos, inclusive cobrando uma revisão da postura ética de toda a população. Em outras palavras, a sensação foi mais de otimismo do que desilusão e muitos relembraram situações passadas que, apesar de apresentarem sinais de que aquilo nunca acabaria (como foi o caso da ditadura e da alta inflação), houve gente com ganas e competência para implementar todas as mudanças necessárias.

    Para atravessar este período de turbulência, porém com expectativa de queda na inflação, e sem se expor a toda a volatilidade potencial, a solução pode estar em bons produtos estruturados e fundos de investimentos. No trading, tome cuidado com a queda na liquidez e redobre a atenção em operações direcionais (especialmente as de longo prazo). Vale ressaltar que é provável que superemos mais esta, mas até lá, o mercado deve viver um dia de cada vez.

    Até a próxima, e se você gostou desse tipo de conteudo não esqueça de deixar um Like, assim conseguimos melhorar os próximos artigos.

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  • Texto ponderado e coerente! Parabéns. 



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